Consultar a sociedade na própria sociedade

On 22 de setembro de 2010, in Notícias, Posts, by ricardopoppi

Desde algum tempo venho tentado refletir sobre situações práticas e digitalmente concretas de como uma determinada discussão no twitter (ou numa lista de mails aberta ou em qualquer outro meio onde ela seja pública) pode ser agregada por um ente externo, seja uma outra pessoa, instituição ou governo.

Recentemente vivi uma situação que pode exemplificar isso. No dia 17 de Setembro, divulguei no twitter uma matéria do Correio Brasiliense sobre reclamações de comerciantes contra as cobranças abusivas do Ecad, aqui em Brasília. Logo em seguida fui retuitado pelo usuário @parlatorus que, tomando conhecimento do meu tweet via hashtag ou por acompanhar meus updates, “me convidou” para uma conversa relacionando as cobranças do Ecad com a nova proposta de acadêmicos para incluir cobrança compulsória na conexão de internet, para fins de remuneração de direitos autorais. Reproduzo nosso diálogo abaixo:

Três dias depois, recebi uma citação (mensagem pública) do usuário @JRyes9000, “me convidando” a ler um texto, bem elaborado, que transcendeu o limite de atenção e espaço dedicado à minha discussão com @parlatorus. Olhando a timeline do usuário, percebi que ele também citou @parlatorus, fazendo com que o texto chegasse ao conhecimento dele. Reproduzo abaixo o “convite”:

Embora a princípio esse tweet possa parecer um SPAM, não o considero como tal. O usuário @JRyes9000 procurou colocar seus argumentos num espaço que já estava fertilizado pela vontade dos cidadãos em discutir o assunto. SPAM é forçar a barra, tentar desviar a atenção da pessoa para uma outra coisa. O que o @JRyes9000 fez, foi agregar sua posição numa discussão para a qual nós já estávamos dedicando algum tempo e energia. Enfim, gostei da intervenção dele, embora seus argumentos sejam um pouco apocalípticos, pedindo para que negociemos certos princípios em troca da segurança jurídica.

Mas o que eu queria destacar da intervenção do usuário @JRyes9000 é que essas possibilidades de agregar e embasar também podem ser utilizadas pelo poder público no âmbito da realização de consultas e diálogos com a sociedade. Atualmente ainda estamos presos no paradigma no qual o governo estrutura a arena de discussão e “força” o cidadão a participar da maneira prevista pelo desenvolvedor do site. Em outras palavras, é o Governo que define o espaço adequado no qual o cidadão deve propor, responder, e principalmente, quais serão os dados de contribuições a serem analisados para obtenção do resultado daquela consulta popular. Em outras palavras, as discussões suscitadas por aquele processo e que não foram estruturadas pelos cidadãos no formato do site, serão perdidas. Os milhares de tweets e textos independentes que foram gerados por aquela discussão não serão considerados na consolidação do resultado da consulta pelas autoridades competentes. Dessa forma, a tecnologia não abarca todo o seu potencial, pois a discussão nas rodas oficiais e nos contextos de lobbies organizados continuará desligada da discussão que está ocorrendo no âmbito da sociedade, que é desenvolvida pelo cidadão não organizado (ou webcidadão).

Mas como o Governo pode fazer isso? Imagino que a coisa pode acontecer de duas maneiras. Primeiro, de forma parecida à utilizada pelo usuário @JRyes9000, se intrometendo propositivamente numa discussão para a qual não foi convidado. O poder público pode avaliar maneiras de fazer isso, seja para apresentar um texto de um especialista, seja para convidar os usuários para outras arenas. A segunda forma, seria construindo sistemas agregadores que possam indexar essas discussões que já estão ocorrendo em outros espaços para que elas possam fazer parte do processo de consulta sem que o usuário tenha que replicá-las no sitio oficial. Sei que essas soluções abarcam diversas questões complexas, mas é fundamental que possamos discutí-las.

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8 Responses to Consultar a sociedade na própria sociedade

  1. Olá Ricardo! Nossa, há quanto tempo não nos falamos! Pessoalmente, desde a #CIRS, online, pouco contato também, apesar de admirar o trabalho que vens fazendo.

    Lendo seu texto, lembrei de uma tantativa do Centro Para a Inteligência Coletiva do MIT em resolver esta questão das discussões em busca de soluções coletivas para temas complexos. Chama-se Deliberatorum (previamente Collaboratorium). Dá uma olhada aqi http://www.webparaeducadores.com.br/comunidade/mod/bookmarks/link.php?id=12&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3Dk2w2WBCn7ug

    Eu mesmo tentei desenvolver algo parecido, usando alguns estratagemas inéditos como os Símbolos Notáveis, mas o programador que acompanhava minhas ideias malucas passou por uma “má fase” emocional e acabou desistindo do projeto.

    Creio que a discussão lançada por você aqui precisa continuar, e espero que alcance a repercussão necessária para tanto. Abraço e sempre à disposição. Apesar de não saber programar, ainda consigo pensar.

  2. ricardopoppi disse:

    Puxa Rafael, tempão mesmo! Boas conversas mesmo aquelas de Curitiba! Valeu pela referência e quero continuar pensando isso. Vou olhar com bastante carinho o Deliberatorum.

    Abcs!

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  4. cleaning disse:

    Why users still make use of to read news papers when in this technological world the whole thing
    is available on web?

  5. angustiamos disse:

    Ya abrieron el próximo puente y voy por el nivel doscientos dieciocho, facilitos semejan por el momento.
    Hola voy x el nivel ciento veintidos y no puedo desactivar
    la bomba!!!

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