Aê galera to escrevendo aqui da OAB-DF, estamos no final do Debate Adote, foi muito interessante, várias discussões técnicas. Fiz uma fala provocadora dizendo que senti falta da galera do Adote lá, o pessoal que está mobilizando as campanhas, que está bombando nas redes.
Cade vocês pessoal?
Falei que acho que combate a corrupção é um tema que não pode ser abordado de forma separada da formulação das políticas. As pessoas se sentirão muito mais impelidas a fazer o controle social se tiverem participado da formulação desde o início.
O Sylvio Costa do @congemfoco mandou muito bem no comentário: “Combate a corrupção não é uma questão técnica, é social” O Ziller mandou bem também: “Eu queria ter visto alguém do #adoteumdistrital falar, ficaria na platéia assistindo de boa. O convite para formação da mesa privilegiou apenas os mais velhos”
Enfim, acho que essa provocação e as respostas valem para pensarmos um debate onde as pessoas do adote poderão falar de suas experiências concretas, poderíamos chamar o professor Davi, a galera do ranking, eu falo um pouco de dados abertos, enfim, acho que já temos massa crítica para isso.
Que tal?
Texto escrito em colaboração com o colega Henrique Parra e publicado originalmente no Congresso em Foco
“A compreensão de que uma verdadeira cidade digital se constrói na rede e pelas pessoas exige um processo consistente de mobilização social e inclusão digital que seja elaborado em rede, a partir da inteligência coletiva e das boas soluções locais”
Esta peça foi escrita por Ricardo Poppi e Henrique Parra – incluindo grandes pitacos do amigo Lincoln de Souza – entre conversas, cafés e etherpads, passando por Brasília, Curitiba, Jundiaí e pela rede.
Como já foi dito no primeiro artigo, nosso palpite cheio de convicção é de que uma cidade digital tem acesso gratuito, universal e com processos burocráticos simplificados. É uma cidade que utiliza padrões abertos e grandes ontologias, na qual a informação é vista como commons, estimulando o hackerismo como forma de inovação e controle social.
Lugar onde o cidadão não organizado resgata sua capacidade de influenciar a tomada de decisões e a construção das políticas públicas é feita em processos de inovação aberta. Os sistemas que dão suporte às atividades de governo são desenvolvidos por hackers, incluindo os locais, numa perspectiva de contribuir para o commons da cidade e participar, com código, na definição do ambiente de e-Gov.
Assim, a construção de Cidades Digitais passa, necessariamente, por cinco dimensões:
1- Infraestrutura de conexão/ Universalização do acesso: Internet rápida e espalhada por toda a cidade permite que os cidadãos possam usar os espaços públicos para atividades de cultura digital como hackdays, hackparties, que utilizem seus dispositivos móveis e possam colocar na rede os seus eventos e iniciativas, ganhando dimensão exponencial;
2- Serviços públicos 100% online (Governo Eletrônico): A simplificação dos serviços públicos para ofertá-los no ambiente online constitui uma boa utilização do ambiente digital. Deve-se evitar apenas a digitalização dos fluxos inadequados: uma boa cidade digital muda seus processos e usa tecnologia para agilizar e eliminar etapas desnecessárias;
3- Dados Governamentais Abertos: Os governos são os maiores produtores de informação, e grande parte desses dados são públicos. Organizar essa informação desde a coleta e publicar em formatos abertos, estruturados com regras claras e disponíveis na web, permite que cidadãos se engajem no processo, construindo um ambiente de cooperação na gestão pública. Essa é uma nova forma de participação e de relação entre governo e sociedade.
4- Formulação colaborativa de políticas públicas: Ferramentas para registro de problemas, demandas e construção de comunidades de colaboração em torno de questões públicas resgatam a capacidade de o cidadão comum influenciar decisões e políticas públicas. Tais espaços possibilitam inovação e desenvolvimento local, construindo uma nova geração de políticas centradas na questão e fundadas na cooperação entre governo, iniciativa privada e sociedade.
5- Ambiente colaborativo de produção de software: Os sistemas desenvolvidos ou adquiridos com recursos públicos devem ser, por padrão, de código aberto e seu processo de desenvolvimento realizado num repositório público. Além de permitir colaboração para resolução mais rápida de eventuais falhas, também permitiria à sociedade participar dos rumos e escolhas tecnológicas dos sistemas.
Porém, nenhuma dessas dimensões faz sentido se não considerarmos que uma cidade digital não existe sem cidadania digital. Dessa forma, a compreensão de que uma verdadeira cidade digital se constrói na rede e pelas pessoas exige um processo consistente de mobilização social e inclusão digital que seja elaborado em rede, a partir da inteligência coletiva e das boas soluções locais.
Será isso, e mais nada, o que garantirá real desenvolvimento de comunidades de colaboração para a produção de software, a construção de relevância para a agenda de transparência e dados abertos, e construção de campanhas de webcidadania em torno de questões públicas.
* Ativista do movimento Cidade Democrática e Coordenador de Núcleos do Voto Consciente. Apoia e facilita processos de colaboração em torno de questões públicas que promovam novos modelos de governança social fundados na intersetorialidade. Facilitador de oficinas e estratégias de webcidadania que utilizam as principais ferramentas web para possibilitar a participação cidadã.
Texto escrito em colaboração com o colega Henrique Parra e publicado originalmente no Congresso em Foco
“A compreensão de que uma verdadeira cidade digital se constrói na rede e pelas pessoas exige um processo consistente de mobilização social e inclusão digital”
Minha estreia aqui no Congresso em Foco será coletiva. Escrevo colaborativamente com Ricardo Poppi, amigo e animador do movimento Transparência Hacker no Brasil, além de estar na Secretaria-Geral da Presidência, responsável por novos desafios de participação social pela web no Governo Federal. Escrevemos esta peça entre conversas, cafés e etherpads, passando por Brasília, Curitiba, Jundiaí e pela rede nestas semanas de #Consegi e #CICI2011, como explicaremos a seguir.
A Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI) deste ano incluiu como um de seus eixos centrais o tema “Cidades Digitais”. Centenas de gestores públicos, fornecedores de tecnologia e cidadãos presentes nas dezenas de mesas relacionadas ao tema puderam compartilhar iniciativas, ferramentas e soluções inovadoras. Antes dela, o Congresso Internacional de Software Livre e Governo Eletrônico (Consegi) já havia iniciado este debate, em Brasília, reunindo outras centenas de profissionais de TI, ciberativistas e gestores públicos em torno de Dados Abertos.
Ambos os eventos, separados por um breve final de semana de pontes aéreas, não tiveram em comum apenas alguns de seus participantes e projetos. Compartilharam também as inspirações e debates sobre novos modelos de governança, de fazer política e de pensar o mundo. De tudo isso, emerge uma questão:
O que é uma cidade verdadeiramente digital?
O leitor certamente terá seus palpites. Afinal, “cidade” e “digital” são duas palavras bastante comuns e que nos trazem várias imagens. Talvez você tenha pensado; “Uma cidade onde cidadãos, organizações sociais, iniciativa privada e poder público estão conectados…”. Acertou, mas não em cheio!
Nosso palpite, cheio de convicção, é de que a cidade digital tem acesso gratuito, universal e com processos burocráticos simplificados. É uma cidade que utiliza padrões abertos e grandes ontologias, na qual a informação é vista como “commons”, estimulando o hackerismo como forma de inovação e controle social. Lugar onde o cidadão não organizado resgata sua capacidade de influenciar a tomada de decisões, e a construção das políticas públicas é feita em processos de inovação aberta. Os sistemas que dão suporte às atividades de governo são desenvolvidos por hackers, incluindo os locais, numa perspectiva de contribuir para o “commons” da cidade e participar, com código, na definição do ambiente de e-Gov.
Assim, a construção de Cidades Digitais passa, necessariamente, por cinco dimensões:
- Infraestrutura de conexão/ Universalização do acesso
- Serviços públicos 100% online (Governo Eletrônico)
- Dados governamentais abertos
- Formulação colaborativa de políticas públicas
- Ambiente colaborativo de produção de software
As duas primeiras parecem ainda dominar toda a atenção dos atores políticos envolvidos na transformação de cidades. Talvez mereçam mesmo prioridade, para a construção de infra capaz de gerar interesse e benefício direto para os cidadãos. Porém, nenhuma dessas dimensões faz sentido se não considerarmos que uma cidade digital não existe sem cidadania digital. Dessa forma, a compreensão de que uma verdadeira cidade digital se constrói na rede e pelas pessoas exige um processo consistente de mobilização social e inclusão digital que seja elaborado em rede, a partir da inteligência coletiva e das boas soluções locais.
Será isso, e mais nada, o que garantirá desenvolvimento de comunidades de colaboração para a produção de software, a construção de relevância para a agenda de transparência e dados abertos e a progressiva utilização da web para construção de campanhas de webcidadania em torno de questões públicas. No próximo artigo, falaremos um pouco mais de cada uma destas cinco dimensões.
* Ativista do movimento Cidade Democrática e Coordenador de Núcleos do Voto Consciente. Apoia e facilita processos de colaboração em torno de questões públicas que promovam novos modelos de governança social fundados na intersetorialidade. Facilitador de oficinas e estratégias de webcidadania que utilizam as principais ferramentas web para possibilitar a participação cidadã.













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