USnow, o que é democracia e como ela pode ser digital

On 11 de agosto de 2009, in Posts, by ricardopoppi

Ainda na euforia do livro do Putnam e já entrando no que virá a ser o tema da minha monografia nos próximos 12 meses, estou refletindo sobre a idéia de democracia digital ou ainda, democracia na era da internet.

Acabei de assistir o documentário USnow com participação de Don Tapscott (wikinomics) sobre a nova era da colaboração e Governo 2.0. Há uma frase no documentário que nos lembra o fato de que não é a tecnologia em si que vai mudar o mundo mas sim os novos hábitos que ela pode permitir que surjam. Fiquemos apenas nas possibilidades e nada mudará. Poxa, se em 1.000 anos(!) diversas mudanças e revoluções não conseguiram alterar fundamentalmente o baixo nível de civismo das regiões Italianas mais pobres, nós Brasileiros e outros povos com os mesmos problemas que os nossos não participaremos automaticamente dessa revolução a não ser que façamos algo de bem concreto a respeito.

Muito se fala (e no documentário isso fica bem evidente) sobre a real possibilidade que essa nova tecnologia trás de facultar o poder de decidir às multidões: “Power to the people”. Ok, sem entrar no mérito de que essas mesmas pessoas que tem uma relação extremamente de curto prazo (clientelista) com o seu voto e que hoje elegem Sarneys, serão as que votarão pelas políticas públicas e decisões governamentais, gostaria de chamar atenção para outro aspecto.

Pode ter passado despercebido mas o documentário também mostra que essa tecnologia está conectando, como nunca antes, um enorme número de pessoas e está permitindo a sistematização de uma grande quantidade de conhecimento informal, através de um gigantesco número de comunidades temáticas. Essa constatação megalomaníaca, a principio banal, é o que nos permite tirar o foco da faculdade de votar passando-o para a faculdade de deliberar. Afinal de contas, as regiões cívicas e prósperas da Itália de Putnam não tem um virtuoso histórico de governos democráticos, mas pelo contrário, era para desenvolver tarefas típicas da vida privada (como negócios e lazer) que as associações geradoras de capital social atuavam!

Concluindo meu ainda tosco-não-lapidado raciocínio que exponho para os esparsos frequentadores deste weblog, acho que discutir a faculdade de votar as decisões governamentais via internet é um tanto irresponsável por pular uma etapa muito importante, a etapa da cultura da associação, que culmina na importância da simples deliberação no ambiente da internet. Enquanto ainda vivermos numa cultura de sentir medo/vergonha por expor nossas opiniões e trouxermos nos nossos corações os resquícios do autoritarismo de opinião (no qual infelizmente me incluo) não construiremos um governo melhor simplesmente porque os “nossos 180 milhões de técnicos de futebol” estão agora tomando as decisões por método de maioria. Afinal de contas, apesar da decisão democrática ser por maioria, o conceito mais completo de democracia é aquele que leva em consideração a necessidade de se abrir todo espaço às minorias, para que elas possam, argumentando, transformarem-se em maioria.

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Capital Social: Força às associações!

On 10 de agosto de 2009, in Posts, by ricardopoppi

Acabei de ler um dos melhores livros da ciência política (top 5 ou top 10, hehehe) que já li na minha graduação. Chama-se Comunidade e Democracia é do cientista político norte-americano Robert Putnam.

O livro é sobre uma pesquisa-monstro que foi feita na Itália entre as décadas de 70 e 80, no momento em que se instituíam os governos regionais. Putnam analisa os resultados da eficiência de cada governo amarrados com a prosperidade econômica de cada região.

É muito instrutiva a conclusão que a pesquisa chega: As regiões que detém, ao final do período pesquisado, as melhores avaliações, são aquelas cuja história desde a idade média, sempre foi pautada pela prática associativa. Por outro lado, as regiões piores avaliadas (maiormente as do Sul) são aquelas cuja história sempre remonta a vínculos clientelistas verticais e pouca solidariedade horizontal. A essa solidariedade horizontal acumulada ao longo dos anos nas regiões mais Cívicas – assim chamadas por Putnam – ele dá o nome de “Capital Social”.

Putnam não responde, por falta de dados empíricos anteriores ao século XI, como essa solidariedade se originou, mas deixa bem claro que ela tem o caráter de um círculo VIRTUOSO, onde a quantidade acumulada de Capital Social gera cada vez mais cooperação e cada vez mais Capital Social. Em contrapartida, as regiões não Cívicas – ou menos Cívicas – participam de um círculo VICIOSO, de modo que a ausência de Capital Social impede a colaboração, favorece o clientelismo e a desconfiança mútua, matando no embrião, qualquer possibilidade concreta de cooperação.

Finalmente, não sei se para se redimir das constatações que chegou, ou porque realmente acredita nisso, Putnam diz que a pesquisa também percebeu mudanças ocorridas no período pós-descentralização, geradas a partir do estabelecimento das novas regras de descentralização administrativa Italiana. Essas mudanças foram apontadas como uma possibilidade de mudança através das instituições.

Se as práticas de colaboração de 1000 anos atrás condicionaram o desempenho das instituições das províncias mais cívicas Italianas, aqui no Brasil poderemos, por simetria, aproveitar a aceleração criada pela internet e começar a colaborar a partir de agora. Quem sabe talvez num espaço de 100 anos consigamos acumular Capital Social considerável para construir uma sociedade mais igualitária e justa onde figuras como Sarney e etc.. acabem por não vingar, morrendo nos seus próprios ninhos clientelistas e sujos?

Vamos começar agora? Crie uma associação na web e vá treinando!

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Cultura política by Twitter

On 30 de junho de 2009, in Posts, by ricardopoppi

Só Ashton Kutcher pode derrubar o Sarney….Francamente…

Recomendação: assistir pausando, pra ler as telas

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